América Futebol Clube

América Futebol Clube - São José do Rio Preto

 
Anatomia de uma vitória
domingo, 7 de junho de 2015
 
 

Texto escrito após a partida América 2x1 Fernandópolis, válida oitava rodada do Campeonato Paulista da série B1 do ano de 2015.  

 

Passada toda a euforia que rodeia uma vitória épica como aquela conquistada hoje pelo América, é hora de olharmos a fundo para o que acontece com o nosso Rubro após o fim dessa oitava rodada da quarta divisão paulista, mesmo com esse 2x1 de virada aplicado sobre o Fernandópolis no estádio Benedito Teixeira:

1) Que fique bem claro: foi a melhor partida do América nessa B1. E o mérito é total dos jogadores. Muitos deles com deficiências técnicas e táticas latentes mas que, com poucas exceções, se doaram no jogo de hoje de forma diferenciada. Resultado? Uma vitória também diferenciada.

2) O absurdo tático do América jogar a partida com três zagueiros ficava claro antes de começar a partida. O miolo de zaga americano é bom nas bolas altas mas todos são lentos quando a bola está no chão. Resultado: o Fernandópolis cansou de entrar no costado das duas laterais, inclusive, fazendo o seu gol dessa forma.

3) Corroboram para essa conclusão o fato de que os cabeças-de-área americanos estavam perdidos no primeiro tempo. Com a cabeça de área toda congestionada e sem a opção de sair com os laterais, todos os defensores americanos erravam passes em saídas de bola fáceis, possibilitando contra-ataques rápidos da equipe adversária, deixando nossa zaga também no mano-a-mano mesmo nas jogadas mais centralizadas do ataque do Fernandópolis. Enfim... houvesse um técnico no América, não seria nem ventilada a possibilidade do Rubro começar jogando desse jeito.

4) Todo bom time começa por um bom goleiro. Longe de nós sacrificar o goleiro titular do elenco, Guilherme Henrique, que é um profissional bem novo e que já demonstrou ter seus méritos, principalmente naquele jogo em Presidente Prudente onde ele salvou o América de tomar uma goleada histórica. Mas também é um fato: sua baixa estatura e seu péssimo desempenho nas bolas altas, ou seja, nas saídas do gol, colocam sob risco quaisquer expectativas do América nesse campeonato. É imprescindível que esse fundamento seja treinado exaustivamente. Alguém tem que trabalhar inclusive o seu psicológico. Ele tem que ter claro que a pequena área é dele. É ele quem manda ali. Ficar encolhido debaixo das traves vai encolher também a sua carreira.

5) As descidas dos nossos alas pelas pontas, algo que não aconteceu em nenhum jogo nesse certame, é algo a ser destacado. Algumas trombadas ou erros em lançamentos demonstravam que essa solução não foi nunca sequer pensada, que dirá treinada. Mas eles, os jogadores, conseguiram se sintonizar e, principalmente pela esquerda do seu ataque, o América fulminou o Fernandópolis (inclusive com a jogada do primeiro gol americano começando por ali e culminando com o golaço do Geninho).

 

Lance de ataque do América (foto: Marcelo Polezi)

 

6) Eis que, enfim, chegamos ao fato mais inusitado, para não dizer, simbólico, desse momento vivido pelo América: ao ver o primeiro gol do Fernandópolis, e uma nova derrota se desenhando, o presidente do clube, que já estava assistindo ao jogo no banco de reservas do América, tomou uma atitude corajosa, de personalidade... e também desesperada. Passou a orientar o time dali da beirada do campo de jogo, na área técnica do banco de reservas do Rubro, obscurecendo completamente a figura inerte do "técnico" do América... não, por acaso, seu irmão. O time americano "acendeu". Duas bolas na trave, meio-campo mais participativo, FFC sem conseguir criar mais nenhuma jogada nos vinte minutos finais do primeiro tempo. Não por acaso, Zé Branco, o presidente do América, foi aplaudido pela torcida americana, enquanto o irmão, Deto Pereira, era achincalhado. O rendimento americano deu uma caída no início do segundo tempo, quando o Fernandópolis criou novas chances de gol. A cena do "técnico oficial" do América quieto, cabisbaixo e vendo seu irmão comandando o time era ao mesmo tempo patética e inacreditável. Aos trinta e cinco minutos, quando o América empatou o jogo, o "técnico" Deto Pereira se transformou. Diferentemente da forma como se postara até ali, o mesmo demonstrou todo o seu despreparo e destempero para ocupar o posto que ocupa atualmente, passando a dirigir ofensas à torcida americana. Os mesmos que haviam criticado a completa omissão desse senhor quanto a não conseguir liderar sua equipe para qualquer horizonte nesse campeonato que não fosse a provável desclassificação da equipe já na primeira fase. Tivesse esse senhor a mesma vontade que tem para dirigir ofensas à torcida americana para conduzir seu elenco, quem sabe teríamos menos jogadores deixando o clube, mais vitórias, mais dedicação por parte de seus, ãh, digamos, "comandados". Atitude pífia, patética... como aquela cena de vê-lo mirando o irmão dando instruções à equipe que ele, teoricamente, comanda.

 

Zé Branco (de preto) orientando o time e obscurescendo o irmão Deto (de amarelo) (foto: Marcelo Polezzi)

 

7) Com esse domingo maravilhoso terminando, fica o nosso parabéns aos jogadores do nosso América. Hoje, mesmo aqueles profissionais que jogaram mal, merecem a alcunha de guerreiros. Afinal, foi uma virada espetacular com há muito não víamos. E pode ser o começo de algo grande para o clube e para eles, jogadores.  E para que esse "algo grandioso" possa acontecer, depende só deles!! Nós só podemos torcer, pagar nosso ingresso e continuar comparecendo ao Teixeirão, quando ninguém mais o faz.  Os remanescentes da torcida americana continuarão torcendo muito. Inclusive para que vocês escolham de forma ética e unida quem deve comandá-los nessa temporada. Para nós, ficou claro quem deve fazê-lo.

 

Sidney, autor do segundo gol americano, aos 46 minutos do segundo tempo (fonte: Jornal Diário da Região)

 

 

Jogadores saudando a torcida americana ao fim da partida (foto: Marcelo Polezzi)

 
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