América Futebol Clube

América Futebol Clube - São José do Rio Preto

 
Adésio: o "motorzinho" do América campeão de 1957
domingo, 28 de maio de 2017
 
 

 

O volante Adésio de Almeida foi peça fundamental na conquista do primeiro título do América, na Segunda Divisão (atual Série A-2) de 1957, que proporcionou ao clube o inédito acesso ao Paulistão. Com uma técnica refinada, ele era o “carregador de piano” ou o “motorzinho” do time. Sua incumbência era desarmar os adversários e iniciar a maioria das jogadas ofensivas. Criativo, de seus pés saíam lançamentos primorosos e passes açucarados para Cuca, Leal, Dozinho, Vidal e Orias, que formavam a linha ofensiva do Vermelhinho.

Adésio estava sem espaço no Cruzeiro e veio tentar a sorte no futebol paulista por indicação do técnico João Avelino. Chegou ao clube rio-pretense em abril de 1957 e estreou no dia 21, no empate de 1 a 1 no derby amistoso diante do Rio Preto, realizado no estádio Victor Brito Bastos.

 

Dos 24 jogos disputados pelo América no campeonato, Adésio esteve presente em 20 e marcou um gol. Sofreu uma contusão, ficou fora de quatro partidas na fase decisiva e foi substituído por Aldo, inclusive no triunfo de 3 a 2 sobre o Corinthians, em Presidente Prudente, no dia 27 de dezembro de 1957, que decretou o acesso americano à elite estadual.

Baixo, como era carinhosamente chamado, em razão do 1,70 metro de estatura, teve atuações brilhantes nas três temporadas consecutivas que o Rubro permaneceu no Paulistão. Mas ele também fez parte do elenco rebaixado em 1960. A sua despedida aconteceu na derrota de 2 a 1 para o Juventus, na rua Javari, em São Paulo, no sábado, dia 11 de fevereiro de 1961, na última rodada do Torneio da Morte, que culminou com a queda da equipe para a Segundona.

 

Doze dias depois, ele encerrou seu ciclo no time rio-pretense e acertou com o Noroeste, que pagou Cr$ 1 milhão ao América, sendo Cr$ 650 mil à vista e mais um amistoso no estádio Mário Alves Mendonça, com a renda para o Rubro.

Finalista com o Barretos

Nascido em Niterói, no dia 14 de março de 1933, Adésio de Almeida começou a jogar nas categorias de base do Canto do Rio. Logo chamou a atenção da diretoria do Fluminense. Ingressou nos juvenis do tricolor carioca e foi promovido ao profissional em 1952.

Dois anos depois, transferiu-se para o Tupi de Juiz de Fora-MG. Destacou-se e foi convocado para defender a seleção mineira no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Comprado pelo Cruzeiro, teve poucas oportunidades na equipe celeste e veio para o América de Rio Preto.

Depois, ele seguiu para o Noroeste e também atuou na Ferroviária de Botucatu no Paulista da Segunda Divisão, com o técnico Sidney Cotrim Malmegrin. Na temporada de 1965, o treinador Cotrim foi para o Barretos e levou Adésio como reforço. 

 

A equipe barretense fez ótima campanha e decidiu o título da divisão de acesso ao Paulistão contra o Bragantino, em dois duelos no Pacaembu, em São Paulo. Porém, o time de Bragança Paulista levou a melhor ao vencer o primeiro jogo por 1 a 0 e empatar o segundo por 2 a 2. Adésio encerrou a carreira no Barretos em 1966, aos 33 anos.

Treinou o Rio Preto em duas temporadas

Adésio fez muitos amigos durante a sua passagem pelo Barretos e o presidente Paulo Monteiro de Barros decidiu convidá-lo a assumir o cargo de técnico da equipe. O destaque era o jovem meio-campista Brecha, que depois defendeu Juventus, Santos, Guarani, entre outras agremiações. Em 1968, sob a batuta de Adésio, o Barretos disputou as finais da Segundona, com Paulista, Ponte Preta, Francana, Bragantino e Ferroviário de Araçatuba. O time de Jundiaí subiu para o Paulistão. No total, ele dirigiu o Touro do Vale em seis competições, entre as décadas de 1960, 1970 e 1980.

 

Também comandou o Rio Preto duas vezes. Fez um grande trabalho no Jacaré em 1983 e voltou três anos depois para tentar reerguer o clube. Apresentado na sexta-feira, 24 de janeiro de 1986, estreou um mês depois na derrota de 2 a 0 para o Catanduvense, em jogo amistoso realizado em Pindorama.

Foram nove partidas pelo Jacaré, com uma vitória, quatro empates e quatro derrotas. Alegou problemas pessoais e pediu demissão após perder de 3 a 2 para o Batatais, fora de casa, no domingo, dia 12 de abril, pela segunda rodada da Segundona. A diretoria contratou Silvio Acácio para substituí-lo.

Adésio ainda dirigiu Araçatuba, Sãocarlense (quatro vezes) e XV de Piracicaba em três ocasiões. Numa delas, em 1979, levou o Nhô Quim ao Brasileirão e conseguiu resultados expressivos, como a vitória de 3 a 0 sobre o Grêmio, que contava com o goleiro Manga, Paulo César Caju, Tarciso, Baltazar e Eder Aleixo. O time quinzista também fez 2 a 1 no Bahia, em plena Fonte Nova, em Salvador.

Seu último trabalho foi no XV, no início da década de 1990. Adésio deixou o clube piracicabano para cuidar da mulher, que havia adoecido. Ela morreu um tempo depois, vítima de problemas cardíacos. Aos 84 anos, Adésio está aposentado e mora em Barretos.

 

 

 
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