América Futebol Clube

América Futebol Clube - São José do Rio Preto

 
Palmeiras dá ônibus e mais Cr$ 240 mil pelo atacante Milton
domingo, 2 de outubro de 2016
 
 

 

Contratado junto ao Flamengo-RJ por Cr$ 80 mil, com muita valentia, movimentação, bom posicionamento na área e uma impulsão incrível, Milton Silvério Carlos se destacou como um dos grandes centroavantes do América. Artilheiro do Paulistinha (atual Série A-2) de 1971, com 13 gols, ele acabou vendido ao Palmeiras, numa emblemática transação, por envolver um ônibus e muita discussão.

Mas há uma longa história até se chegar ao veículo. O presidente Benedito Teixeira e o diretor Élcio de Barros foram a São Paulo na terça-feira, dia 9 de janeiro de 1973, e concretizaram a venda do atacante com Domingos Lanacone, o Minguinho, uma espécie de Paulo Nobre do Verdão nos dias de hoje. O negócio foi fechado por Cr$ 300 mil, sendo Cr$ 40 mil de entrada, mais 13 parcelas mensais de Cr$ 20 mil, além do empréstimo por um ano do meia-esquerda Xisté.

Porém, alguns meses depois, cansado de pagar aluguel pelo transporte da delegação para as viagens, o América quis comprar um ônibus e se interessou pelo luxuoso Mercedes Benz seminovo do Palmeiras, que tinha até uma mesa para o carteado da boleirada. Por Cr$ 60 mil abatidos em três parcelas do valor do passe de Milton, a direção palmeirense cedeu o veículo ao Rubro. Milton se recorda que o Corinthians também estaria interessado, mas que o América mantinha um relacionamento mais estreito com o Palmeiras. 

Oswaldo Brandão, então técnico do Alviverde, teria reprovado a contratação. “Ele não gostou”, diz o ex-centroavante. Ele se apresentou no dia 15 de janeiro e estreou no dia 28 na vitória de 2 a 0 sobre o Independiente, da Argentina, em amistoso no Parque Antártica. Do dinheiro que recebeu do Verdão, o América usou Cr$ 50 mil, em dez parcelas de Cr$ 5 mil, para comprar o ponta-direita Zuza junto ao próprio Palmeiras, e outros Cr$ 30 mil para trazer o zagueiro Dobreu, do Corinthians.

Em 19 de fevereiro, André Richer, presidente do Flamengo, ingressou na Justiça para tentar desfazer a transferência de Milton do América para o Palmeiras. Richer alegou que não havia recebido os Cr$ 80 mil do Rubro. Porém, a direção americana comprovou que tinha repassado Cr$ 60 mil, que faltavam apenas Cr$ 20 mil para completar o pagamento e o clube carioca retirou a queixa.

 

Fez 13 gols pelo Rubro em 1971

O América contratou Milton junto ao Flamengo por Cr$ 80 mil. O centroavante chegou no domingo, 8 de agosto de 1971, e começou a treinar no dia seguinte no estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto. Estreou no empate de 1 a 1 com o Londrina, em amistoso disputado no MAM, na quinta-feira, 12 de agosto. Marcou o seu primeiro gol pelo Vermelhinho logo na segunda partida, nos 4 a 0 sobre o Barretos, em outro amistoso no MAM, no domingo, 15 de agosto.

Uma semana depois fez sua estreia oficial pelo clube no empate sem gols com o XV, em Piracicaba, na abertura do Paulistinha. Milton marcou 13 gols no Paulistinha e também disputou o Paulistão de 1972. Antes de se transferir para o Palmeiras, ele se despediu do América na goleada de 4 a 2 diante do Paulista de Jundiaí, no MAM, no domingo, 17 de dezembro de 1972, e fez o segundo e o terceiro gols, no início da etapa final.

 

América 1 X 1 Londrina - 12 de agosto de 1971

Ficha técnica:

América

Getúlio; Ferreira (Paulinho), Dobreu, John Paul e Ambrozio; Raul e Bazaninho (Didi) (João Luiz); Zé Maria (Nelsinho), Tutu (Bá), Milton e Gaspar. Técnico: Vail Mota.

Londrina

Silveira; Zé Roberto (Ediwil), Morais, Darci Menezes e Barros; Ditinho e Gauchinho; Rubens, Gilberto, Neto e Mazinho. Técnico: não informado.

Gols: Gilberto aos 27 minutos do primeiro tempo e Gaspar aos 26 minutos do segundo tempo. Árbitro: Márcio José Costa. Renda: não informada. Público: 1.903 torcedores. Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, na quinta-feira, dia 12 de agosto de 1971, em amistoso que marcou a estreia de Milton no América.

 

Jogou no Flamengo e Bangu

Nascido no dia 19 de fevereiro de 1948, em Barão de Cocais-MG, a 90 quilômetros de Belo Horizonte, Milton começou a carreira como zagueiro no time aspirante do Jabaquara, de sua terra natal. Um certo dia, contra os rivais do Santa Bárbara, o treinador Raimundo Silva decidiu improvisá-lo de centroavante. E não é que deu certo. Milton deu um show ao marcar quatro gols. Foi efetivado no ataque e terminou o campeonato regional como artilheiro, com 23 gols.

Em janeiro de 1966, Milton foi visitar a irmã Nilza e o cunhado Jair, em Itabira-MG, e resolveu treinar no Valeriodoce, time patrocinado pela Vale do Rio Doce e que há dois anos estava na elite do Campeonato Mineiro. Impressionou o técnico Gerson dos Santos logo no primeiro treino, ao marcar dois gols. Assinou contrato e passou a brilhar a partir de 1967. Na reta final do estadual, o Atlético liderava com folga e conquistaria o título antecipado com uma vitória diante do Valeriodoce, no Mineirão. Com vários desfalques, Gerson dos Santos recorreu aos reservas, entre eles Milton.

E a estrela do garoto brilhou intensamente. Foi o melhor em campo e fez o gol da vitória do seu time por 2 a 1. Em agosto de 1968, acabou emprestado ao Bangu, do técnico Martim Francisco, que havia trabalhado no Valério. Disputou o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (atual Brasileirão) e fez o gol da equipe carioca no 1 a 1 diante do Santos, no Pacaembu. “Após a partida, o Pepe bateu nas minhas costas e falou: ‘Vai em frente garoto, você tem futuro’”, recorda.

Depois de jogar no Bangu, Milton retornou ao Valério, que fez sua melhor campanha na história do Mineiro em 1969 ao terminar em 3º lugar. O centroavante, inclusive, concorreu à artilharia. O treinador era Yustrich, que no ano seguinte foi para o Flamengo-RJ e exigiu a contratação do atacante. Milton acertou com o Mengo em agosto de 1970 e estreou na vitória de 2 a 1 sobre o Vasco, em jogo amistoso que marcou a inauguração do estádio de Arraial do Cabo-RJ. Perdeu espaço com a saída de Yustrich e a chegada de Zagallo. Então, veio para o América e depois foi para o Palmeiras.

 

Santos 1 x 1 Bangu - 25 de setembro de 1968

Ficha técnica:

Santos

Laércio; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Oberdan e Rildo; Clodoaldo e Lima (Negreiros); Amauri, Pelé, Toninho Guerreiro e Edu (Pepe). Técnico: Antoninho.

Bangu

Ubirajara; Fidélis, Lincoln, Luís Alberto e Pedrinho; Jaime e Juarez; Gijo (Fernando), Sabará (Neguito), Milton e Aladim. Técnico: Ocimar.

Gols: Toninho Guerreiro para o Santos e Milton para o Bangu. Árbitro: Gualter Portela. Renda: Ncr$ 25.304,00. Público: 5.740 torcedores. Local: estádio do Pacaembu, em São Paulo, na quarta-feira, dia 25/9/1968, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, atual Brasileirão.

 

Goleador e ídolo no Monterrey

Depois de marcar sete gols em 25 partidas disputadas pelo Palmeiras na temporada de 1973, entre Libertadores, Paulistão e amistosos, Milton foi vendido ao Monterrey do México por US$ 80 mil. “Sou o maior artilheiro de uma temporada regular do Campeonato Mexicano (1973/74), com 22 gols”, diz. Tornou-se ídolo nos “Rajados”, apelido do time mexicano. Entre 1973 a 1978, disputou 113 jogos e marcou 75 gols, sendo três logo na estreia.

Voltou ao Brasil em 1978, teve outra passagem pelo Palmeiras, defendeu o Sport Recife e caiu, em 1979, do Paulistão para a Segunda Divisão com o Velo Clube Rioclarense. “Sofri uma grave lesão no joelho direito”, recorda. Ainda fez algumas partidas pelo Valeriodoce até pendurar as chuteiras. “Fui treinador do Valério em alguns amistosos.” Depois que parou de jogar, passou a trabalhar com vendas de produtos têxteis. Hoje, ele ainda bate uma bolinha com amigos do “Realmatismo” e vende a cachaça mineira Januária. “Uma das melhores do Brasil”, diz. Viúvo de Maria José, que morreu vítima de acidente em 1981, Milton é pai de Patrícia e de Miltinho (já falecido), e avô de Thiago e Luca. Ele mora no bairro Catete, no Rio de Janeiro.

 

América 4 X 2 Paulista de Jundiaí - 17 de dezembro de 1972

Ficha técnica:

América

Getúlio; Nelson Prandi, Dobreu, John Paul (Edvaldo) e Walter; Didi e Xisté; Zuza, Turcão (Geraldo Galvão), Milton e Mazinho. Técnico: Vail Mota. 

Paulista de Jundiaí

Baladi; Sérgio, Colombo, Cidinho e Jair; Adair e Benê; Willian (Baiano), Bosco, Cláudio e Adelson. Técnico: não obtido.

Gols: Walter aos 26 do 1º tempo. Milton a 1 e aos 10, Walter aos 12, Adair aos 34 e aos 40 do 2º tempo. Árbitro: Edson Vale Pantosi. Renda: Cr$ 11.983,00. Público: 2.403 pagantes. Local: estádio Mário Alves Mendonça, em Rio Preto, pelo Paulistão, na despedida de Milton do Rubro. 

 

 

 

 

 

 

 
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